The Smiths (1984) - The Smiths



"A extinta banda britânica The Smiths, liderada pelo bardo Morrissey, é um dos três maiores grupos de música pop dos últimos cem anos, quaisquer que sejam os outros dois (...)" foi o que disse Lúcio Ribeiro, provavelmente o maior queridinho do jornalismo indie brasileiro e, posso garantir, não é nenhum absurdo.

O fato é: os Smiths não são somente a banda mais importante surgida nos últimos 30 anos (Nirvana é o c@%$lho), como também a que uniu sobre si uma das legiões de fãs mais devotados dentro da música pop. Não se precisa ir longe para saber o porquê, Morrissey não foi pioneiro na questão de fazer música para perdores (Sinatra, esse sim visionário, fez um cd sobre solidão ainda em 1955) , mas foi, inquestionavelmente, quem o fez com maior competência.

O (subestimado) album The Smiths, de 1984, é uma prova clara disso. Poucos cds foram tão abrangentes ao falar de frustração, abandono, tristeza... Alguns aqui podem achar que o caminho mais lógico para se começar a falar dos Smiths seria com o antológico The Queen is Dead, de 86, mas seria uma injustiça não começar pelo primeiro cd dos "Silva" que exala de fato a real essência da banda.

Existe um argumento senso comum contra esse álbum por considerá-lo triste em demasia. Aliás, tal argumento se extende à toda a carreira dos Smiths, mesmo que injustamente. Injustamente não por suas músicas não serem melancólicas, mas por considerar isso um defeito, algo que não entendo bem. Poucas bandas consiguiram ter uma comunicação tão grande e direta com seu público como os Smiths, examente por falarem tão bem de sentimentos universais como a solidão e a tristeza, não consigo ver como isso possa ser um defeito. The Smiths é uma daquelas bandas que salvam sua vida, eu mesmo perdi a conta das vezes onde meus únicos companheiros madrugada adentro eram a voz carregada de Steven Patrick Morrissey e os riffs de guitarra inconfundíveis de Johnny Marr. Afinal, é exatamente disso que a banda fala: estar sozinho nas primeiras horas da madrugada. Olha só, não é que eu voltei pro Sinatra? :)

Faixas:

1 Reel Around the Fountain 5:56
2 You've Got Everything Now 3:59
3 Miserable Lie 4:27
4 Pretty Girls Make Graves 3:43
5 The Hand That Rocks the Cradle 4:38
6 This Charming Man 2:43
7 Still Ill 3:20
8 Hand in Glove 3:23
9 What Difference Does It Make? 3:49
10 I Don't Owe You Anything 4:04
11 Suffer Little Children 5:27

Sobre as Faixas em negrito:

Reel Around the Fountain: É preciso respeitar um cd que inicia com uma faixa que nem Reel Around the Fountain. Sério, Morrissey dialoga com a gente nessa música, é impossível se manter impassível diante dela. "It's time the tale were told /Of how you took a child / and you made him old " , perfeito. E ainda: "But "take me to the haven of your bed" / Was something that you never said", que transmite a real idéia da música: uma ode aos amores irrealizados.

This Charming Man: Aquela música que te conquista nos primeiros cinco segundos e fica na sua cabeça por uma semana. O riff de guitarra do Jonhny Marr é inesquecível, nem dá pra falar muito. Se você não escutou, precisa fazê-lo o quanto antes.

Hand in Glove: Uma das mais bonitas músicas sobre amor, separação e tudo mais. A minha faixa preferida do cd e talvez minha música preferida dos Smiths. "No, it's not like any other love / this one is different - because it's us" , Morrissey fala por mim, por nós. Ah, escutem também a versão do Death Cab for a Cutie, quem curtir.

What Difference does It Make?: Morrissey diz não gostar dessa música, mas os fãs gostam - e muito! "Heavy words are so lightly thrown / But still I'd leap in front of a flying bullet for you" , desnecessário falar... Todo mundo (ou todo mundo que escuta Smiths, pelo menos) já foi chutado por alguém que continuava gostando. E o final é que fica na cabeça: " But no more apologies / No more apologies ".


Curiosidades

* Esse album é considerado, pela revista Got, como o segundo o segundo album mais gay da história (quem viu a capa já tem uma idéia do motivo).

* Também é considerado como o 489° melhor album de todos os tempos, pela Rolling Stone.


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Bom, é isso. Escutem The Smiths porque, quem sabe, pode ser a banda que vai salvar sua vida, assim como salvou a minha. :)

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